1# EDITORIAL 29.10.14

"A CALNIA COMO ARMA DE DESTRUIO"
Carlos Jos Marques, diretor editorial

Foram dias de massacre de reputaes sem precedentes. Para se manter no poder, os articuladores da candidata Dilma Rousseff adotaram o que chamaram de estratgia
de desconstruo do adversrio cuja essncia era um bombardeio de mentiras e calnias, transformando essa na mais torpe eleio dos ltimos tempos. Nas peas de 
campanha e nas palavras dos principais arautos petistas, liderados pelo ex-presidente Lula, o oponente de Dilma, Acio Neves, foi classificado de nazista, que agride 
mulheres, no gosta de trabalhar, tem problemas com bebida e, para completar, iria desempregar os brasileiros e acabar com o programa Bolsa Famlia. Qualquer um 
que avaliasse mais detidamente a ttica oficial, que despejou milhes em campanha, poderia perceber a inconsistncia de tamanha artilharia de insultos e ilaes 
 e o intuito por trs dela. Nada ficaria de p nesse carnaval de difamaes. Mas o seu martelar incessante nas propagandas de TV, nas mdias digitais e nos palanques 
Brasil afora foi inebriando massas, tentando convenc-las de uma falsa luta do bem contra o mal, de ns contra eles. Faltou lucidez e a esperana de parte da populao 
foi embalada por quem controla a mquina numa caixa de promessas vazias. Nas ruas a militncia partidria, incessante no seu af de caluniar, distribua panfletos 
apcrifos com teores terroristas, falando da ameaa que viria de uma vitria da oposio. Era o apogeu de um plano covarde que se repetia depois da destruio implacvel 
imposta  ambientalista Marina Silva, chamada at de homofbica e acusada de assassinato de um manifestante gay por parte de seus seguranas, segundo ela mesma informou 
em entrevista ao jornal britnico Financial Times. Indignada com o jogo sujo, Marina fez uma declarao de apoio aberto a Acio e s mudanas propostas por ele que 
esto no bojo de um amplo anseio da Nao. Depois das urnas, qualquer que seja o seu resultado, torna-se imperativa uma reviso das regras eleitorais que abriram 
margem a tantas manobras rasteiras. Os golpes baixos no plano pessoal e na biografia de conquistas administrativas do mineiro, cuja gesto no governo de seu estado 
mereceu aprovao recorde, somaram-se a um estratagema maroto de esconder a realidade de crise evidente. Nos ltimos quatro anos, os nmeros atestam, o Pas vive 
uma paralisia econmica que se agrava, com descontrole dos gastos pblicos e desmoralizao de instituies como a Petrobras, cujos cofres foram assaltados por partidrios 
do Governo, que desviaram bilhes. Seguir nesse caminho insano  insistir em um erro, de consequncias imprevisveis, que pode levar muito tempo para se consertar 
e cujo nico antdoto, ou resposta eficaz, est na urna eleitoral.
